sábado, 26 de setembro de 2015

“LIBRAS É LINGUA”




Na década de 1960, foi conferido à língua brasileira de sinais o status linguístico. Diferentemente do que se imagina a língua de sinais não é universal, pois varia dependendo da comunidade, território, país… Podemos dizer que “o que é universal é o impulso dos indivíduos para a comunicação e, no caso dos surdos, esse impulso é sinalizado.”


A língua de sinais dos surdos é natural, pois evolui como parte de um grupo cultural do povo surdo. Possui gramática onde, por exemplo, a orientação e a configuração da mão podem mudar o significado do sinal, assim como apenas uma letra pode diferenciar significativamente uma palavra nas línguas orais.


As mãos não são o único veículo usado nas línguas de sinais para produzir informação lingüística. Os surdos fazem o uso extensivo de marcadores não manuais como, por exemplo, as expressões faciais que se tornam importantes elementos gramaticais compondo a estrutura da língua.

A língua de sinais tem estrutura própria, é autônoma e independe de qualquer língua oral em sua concepção linguística. Cada língua de sinais tem suas influencias e raízes históricas a partir de línguas de sinais especificas. Há poucos documentos registrados por surdos, e sobre os surdos, que possam fornecer informações sobre a origem e o desenvolvimento das línguas de sinais entre surdos. Porém é importante dizer que a coabitação da maioria das línguas de sinais com as línguas orais faz com que empréstimos, alternâncias e trocas linguísticas aconteçam, inevitavelmente.

O mundo dos surdos não é um mundo de silêncio absoluto. Entretanto, o silêncio é relativo. Eles escutam com os olhos, sendo que, quando estão em um ambiente onde muitas pessoas estão fazendo sinais ao mesmo tempo, ou mesmo falando e fazendo expressões, sentem que estão em um ambiente barulhento. Isso pode ser chamado de “ruído visual”. Além disso, é preciso entender que a língua de sinais é uma forma de falar (mas que não necessita emitir som). O mesmo acontece com a música e a dança: é possível senti-las e apreciá-las através da observação de movimentação, da vibração, do contato corporal.



Fonte: Psicóloga Daiana Gallas
https://psidaianagallas.wordpress.com/2013/01/17/libras-e-lingua/

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