sábado, 26 de setembro de 2015

COMO FUNCIONA O SISTEMA BRAILLE?



O sistema Braille é um processo de escrita e leitura baseado em 64 símbolos em relevo, resultantes da combinação de até seis pontos dispostos em duas colunas de três pontos cada. Pode-se fazer a representação tanto de letras, como algarismos e sinais de pontuação. Ele é utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão, e a leitura é feita da esquerda para a direita, ao toque de uma ou duas mãos ao mesmo tempo.

Atualmente, existem máquinas de escrever adaptadas para a confecção de textos em Braille e computadores que conseguem transformar um simples comando de voz em um texto adaptado a esse mesmo código. Sem dúvida, o sistema Braille abriu um campo de possibilidades que irrompe com as limitações impostas pelo corpo. Mesmo sem a visão do mundo material, os cegos podem produzir conhecimento, realizar projetos e, principalmente, sentir o mundo à sua maneira.

O código foi criado pelo francês Louis Braille (1809 - 1852), que perdeu a visão aos 3 anos e criou o sistema aos 16. Ele teve o olho perfurado por uma ferramenta na oficina do pai, que trabalhava com couro. Após o incidente, o menino teve uma infecção grave, resultando em cegueira nos dois olhos.

O Brasil conhece o sistema desde 1854, data da inauguração do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, chamado, à época, Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Fundado por D. Pedro II, o instituto já tinha como missão a educação e profissionalização das pessoas com deficiência visual. "O Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar o sistema, trazido por José Álvares de Azevedo, jovem cego que teve contato com o Braille em Paris", conta a pedagoga Maria Cristina Nassif, especialista no ensino para deficiente visual da Fundação Dorina Nowill.

O código Braille não foi a primeira iniciativa que permitia a leitura por cegos. Havia métodos com inscrições em alto-relevo, normalmente feito por letras costuradas em papel, que eram muito grandes e pouco práticos. Quatro anos antes de criar seu método, Louis Braille teve contato com um capitão da artilharia francesa que havia desenvolvido um sistema de escrita noturna, para facilitar a comunicação secreta entre soldados, já utilizando pontos em relevo. Braille simplificou esse trabalho e o aprimorou, permitindo que o sistema fosse também utilizado para números e símbolos musicais.



Referencia: SOUSA, Rainer Gonçalves. "Código Braille"; Brasil Escola. Disponível em <http://www.brasilescola.com/portugues/braile.htm>. Acesso em 27 de setembro de 2015. 

ALFABETO EM LIBRAS

Vamos Praticar?


 
 


Um vídeo para treinar! 




Imagem: http://eeblmlibras.blogspot.com.br/2011/04/alfabeto-em-libras-video.html
Video: Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ymMSszwp4Tw. Acesso em 09/09/2015.


“LIBRAS É LINGUA”




Na década de 1960, foi conferido à língua brasileira de sinais o status linguístico. Diferentemente do que se imagina a língua de sinais não é universal, pois varia dependendo da comunidade, território, país… Podemos dizer que “o que é universal é o impulso dos indivíduos para a comunicação e, no caso dos surdos, esse impulso é sinalizado.”


A língua de sinais dos surdos é natural, pois evolui como parte de um grupo cultural do povo surdo. Possui gramática onde, por exemplo, a orientação e a configuração da mão podem mudar o significado do sinal, assim como apenas uma letra pode diferenciar significativamente uma palavra nas línguas orais.


As mãos não são o único veículo usado nas línguas de sinais para produzir informação lingüística. Os surdos fazem o uso extensivo de marcadores não manuais como, por exemplo, as expressões faciais que se tornam importantes elementos gramaticais compondo a estrutura da língua.

A língua de sinais tem estrutura própria, é autônoma e independe de qualquer língua oral em sua concepção linguística. Cada língua de sinais tem suas influencias e raízes históricas a partir de línguas de sinais especificas. Há poucos documentos registrados por surdos, e sobre os surdos, que possam fornecer informações sobre a origem e o desenvolvimento das línguas de sinais entre surdos. Porém é importante dizer que a coabitação da maioria das línguas de sinais com as línguas orais faz com que empréstimos, alternâncias e trocas linguísticas aconteçam, inevitavelmente.

O mundo dos surdos não é um mundo de silêncio absoluto. Entretanto, o silêncio é relativo. Eles escutam com os olhos, sendo que, quando estão em um ambiente onde muitas pessoas estão fazendo sinais ao mesmo tempo, ou mesmo falando e fazendo expressões, sentem que estão em um ambiente barulhento. Isso pode ser chamado de “ruído visual”. Além disso, é preciso entender que a língua de sinais é uma forma de falar (mas que não necessita emitir som). O mesmo acontece com a música e a dança: é possível senti-las e apreciá-las através da observação de movimentação, da vibração, do contato corporal.



Fonte: Psicóloga Daiana Gallas
https://psidaianagallas.wordpress.com/2013/01/17/libras-e-lingua/

CONTAÇÃO DE HISTÓRIA PARA SURDOS






Os contos em língua de sinais são performances visuais que constituem uma rede complexa de informações linguísticas e semióticas, gestos e expressões corporais. o tradutor-intérprete é um mediador cultural e tem em sua tarefa múltiplos desafios, entre eles o de construir no texto de voz os aspectos visuais inerentes à língua de sinais. Fatores como a presença do público e de avaliação do que necessita ou não ser expressado verbalmente são variáveis para a composição textual. Marcações não-manuais, classificadores e gestos fazem parte da construção do texto em língua de sinais e são elementos que podem possibilitar o acesso direto do público aos significados. Na narrativa emergiram artefatos culturais, formas singulares com que o surdo experiência o mundo, conduzindo o intérprete a uma tradução cultural. 


A interpretação simultânea de contos em língua de sinais para voz deve priorizar a informação visual, permitindo que a plateia acesse o que há de mais puro na performance, o jeito surdo de se expressar.

Além de oferecer uma experiência totalmente acessível para os surdos, a atividade abre para os ouvintes a oportunidade de entrar em contato com uma nova língua – alguns sinais básicos são ensinados durante a apresentação – e de vivenciar as narrativas de diferentes maneiras.





                                           
                                           


Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JuCVU9rGUa8. Acesso em 26/09/2015.





PROCESSO DE INCLUSÃO DE SURDOS


A inclusão dos alunos surdos no ensino regular ainda causa controvérsia. Alguns acreditam que esses estudantes devem frequentar as escolas especializadas (escolas para surdos) até o final do ensino fundamental, para serem plenamente alfabetizados em Libras e em Língua Portuguesa. Outros preferem que eles sejam encaminhados para as escolas regulares em sistema de inclusão, tendo o convívio com os alunos ouvintes.

Percebe-se que a cada ano crescem as matrículas de alunos com algum tipo de deficiência (inclusive surdez) nas classes do ensino regular. É preciso que essa inclusão seja eficaz e assegure a aprendizagem.

A inclusão de surdos tem como meta colocar a criança em condições sociais de interação com os ouvintes, explorando ao máximo suas condições sócio-cognitivas para o acesso aos bens culturais.

Alguns itens são indispensáveis para o desenvolvimento e a aprendizagem:
- Capacitação dos professores: apropriando-se de métodos e técnicas adequadas para realizar um bom trabalho.
- Elaboração de currículo que atenda as especificidades desses alunos
- Acompanhamento do aluno, do trabalho pedagógico, participação da família e equipe multidisciplinar como: psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo
- Contratação de profissionais como: intérprete de Libras, professor itinerante.
- Criação de cursos de Libras.

Ainda existem muitas dúvidas quanto a forma de ensinar, de avaliar, conduzir o processo. O professor é preparado para atuar como uma criança "ouvinte". O ambiente já está preparado para receber as crianças que ouvem e falam. Todo o material terá sido escolhido para este tipo de população, que é maioria.

Os professores, sem exceção, devem aceitar as diferenças individuais de cada criança. Não há mais espaço para preconceito e desinformação, abandonando a ideia de que a criança surda não é capaz de aprender porque não oraliza como as demais.

Os alunos surdos são plenamente capazes, se dadas as condições ideais para sua aprendizagem. A questão do uso de uma língua de sinais não pode ser um entrave para sua escolarização e formação de cidadão.




 




Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=qFyFdzXE4 .g. Acesso em 26/09/2015